sexta-feira, 8 de junho de 2012

A igreja sem portas e janelas

É uma igreja de Olinda, na comunidade de Vila Esperança, Pernambuco. Como cristão, fiquei muito alegre ao ver essa notícia há uns anos, e ao mesmo tempo decepcionado com a falta de sensibilidade de muitos, não todos claro, mas infelizmente esses muitos são maioria e são influentes em seus meios, uma pena, o que me faz pensar agora duas vezes antes de ficar calado e ouví-los.


"Paulo César era um jovem que na década de 90 sonhou, juntamente com alguns companheiros e irmãos de fé, em levar o evangelho de Cristo ao povo humilde e sofrido da Vila Esperança, periferia de Olinda. Inicialmente faziam apenas reuniões evangelísticas, mas aos poucos outras necessidades surgiram. O povo precisava de tudo. Muitos estavam famintos, outros tantos doentes, outros vivendo pesados dilemas e dramas psicológicos. Era preciso fazer algo mais do que estudos bíblicos e pregações. Apesar das limitações, Paulo e seus companheiros seguiram os passos de Jesus e se envolveram, movidos por compaixão, com os moradores da vila Esperança. 

Com os anos uma igreja Batista se formou ali. Adquiriram um terreno com o apoio da população local e começaram a construir o templo. Lançaram a fundação, levantaram as paredes e colocaram o telhado. Faltavam apenas as portas e janelas. Passaram a se reunir ali mesmo com a construção não concluída. Foi quando aconteceu algo que mudou radicalmente os rumos da Igreja Batista de Bultrins. Incomodados com a desafiadora mensagem do evangelho, seis irmãos se apresentaram à liderança como candidatos ao ministério – queriam estudar teologia. Mas a igreja não dispunha de recursos para este envio. Foi aí que tiveram de tomar a difícil decisão: ou enviavam os seis para o seminário ou colocavam as portas e janelas no prédio. A Assembléia optou pelo mais sensato, embora muitas vezes não seja entendido pela maioria de nós como o mais lógico: enviaram os vocacionados. Com esta atitude, sem perceberem, estavam delineando, esculpindo a visão ministerial daquela igreja. Ao privilegiarem pessoas ao invés de coisas definiam uma cultura que caracterizaria a comunidade. 


Foto tirada por Carlinhos Veiga em novembro de 2006

Anos se passaram e as portas e janelas nunca foram colocadas. Um novo conceito de igreja, e não só de templo, foi definido ali. Terminaram as instalações hidráulicas e elétricas, compraram cadeiras, instrumentos de som, mas nada de portas e janelas. Uma relação diferenciada foi estabelecida entre a igreja e os moradores da região. Com as portas abertas 24 horas, moradores de rua passaram a dormir no templo. Famílias de sem-teto agora tinham um canto para se abrigar do frio e das chuvas. Passaram a servir o sopão aos mais carentes nas noites de segunda-feira. Os garis que cuidavam da limpeza da região agora tinham uma sombra boa para o almoço e a rápida sesta. E assim a comunidade ao redor se abriu para a igreja porque a igreja se abriu, ou melhor, não se fechou, para a comunidade."



sábado, 7 de janeiro de 2012

Ministério da Integração Familiar

Segundo reportagem da Folha deste sábado, o deputado federal Fernando Coelho(PSB-PE), foi privilegiado pelo pai, ministro Fernando Bezerra(Integração Nacional), o filho recebeu a maior volume de verbas de emendas parlamentares da pasta do papai em 2011. Além disso, foi o único a ter todo o dinheiro reservdo no orçamento para pagamento,  não eram poucos disputando essas verbas, eram 220 com ele. Mas parece que no Ministério da Integração Familiar tudo é coincidência.
E como e não bastasse, o filho priilegiou o titio, que ainda por cima é irmão do ministro, o presidente da CODEVASF (Companhia do Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e da Paraíba), o deputado solicitou o dinheiro para as ações adminitradas pela Companhia do Tio, e o dinheiro foi liberado em Dezembro pelo ministério.


Fonte: Uol, JANEIRO/2012

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A chuva virou negócio no Brasil?

Como se não bastasse a "indústria da seca", que vinha faturando com a eternização das calamidades, para benefícios de grupos políticos e econômicos no sertão, agora o sistema encontrou uma nova forma de ganhar uns trocados, através do assistencialismo barato, em detrimento do sofrimento alheio, e chama-se "indústria da chuva".


Fonte: UOL, JANEIRO/2012




A ONG Contas Abertas, emitiu hoje uma nota divulgando o Estado de Pernambuco como principal beneficiado pelas verbas de “prevenção e preparação a desastres”, de onde saiu 90% dos gastos de obras e que por coincidência é onde reside o Ministro da Integração Nacional, responsável pela gestão das verbas do programa. É, pelo visto a reforma ministerial não poderia ter chegado em melhor hora para Fernando Bezerra, que também por coincidência sairá como candidato a prefeitura de Recife.


Em 2011 estava previsto o repasse de R$ 980 milhões, sendo repassado R$ 1 bilhão, e em 2010 foram mais de 2,3 milhões em assistência de pessoa afetadas por calamidades. Quase R$ 6 bilhões foram movimentados pelas desastres de cidades destruídas pelas chuvas, enquanto isso, de R$ 10 reais, R$ 1 real é para prevenção de novas tragédias, e R$ 9 é pra reconstruir. 
Ano passado foi o Rio que recebeu quase R$ 300 milhões, e nada foi feito depois de um ano, agora é Minas Gerais que está com mais de 53 municípios em estado de emergência, espero que não se repita o que aconteceu na região serrana do Rio.
É, agora as Unidades federativas vão brigar por mais recursos, pois com a nova "indústria da chuva" dá mais dinheiro remediar do que prevenir, mesmo que morram centenas e mais centenas de pessoas todos os anos, na mesma época, no mesmo canal, e com os mesmos personagens.



Acompanhe mais detalhes:
Integração dá 90% da verba de prevenção a desastres para Pernambuco, Estado do ministro

domingo, 4 de dezembro de 2011

O que é o Expoagro?

A tradição amazonense do Expoagro, realizada pelo governo do Estado do Amazonas, através da SEPROR, existe há uns 38 anos, é incrível a quantidade de pessoas que sempre se deslocam pra prestigiar as benfeitorias da administração estadual[ou a falta dela], sempre com a discarada publicidade enganosa maqueando o que há de poir em nosso estado, onde até cego vê! Mesmo assim, estando presente nesse evento, é possível perceber a triste realidade local, são crianças exploradas pelo trabalho, famílias sem renda, ocupação desordenada, resíduos jogados por todo lado, falta de segurança alimentar, assaltos e roubos constantes, a promoção política interesseira e como se não bastasse os problemas reprimidos pela falta de políticas públicas decentes, o Expoagro passou a contar com rodeio nos últimos 9 anos.
Sim, até cego vê crianças reparando veículos, vendendo bebidas, inclusive alcoolicas, pulseiras, chapéus e vários produtos, enquanto nosso estado é um dos piores na colocação da educação brasileira e um dos que menos investe em nossas crianças e jovens, também o acampamento feito pelas pessoas nas calçadas do evento, nas ruas, até no meio das vias do parque de exposição, isso por falta de alternativas econômicas capazes de suprir o pão de cada dia dos mesmos.
Outro fator é a falta de capacidade do estado em executar uma política ambiental séria, são 38 anos de Expoagro e 38 anos de resíduos e mais resíduos deixados como migalhas, no caso de latinhas, aos menos favorecidos do capital acumulado.
Se educação ambiental já é uma lenda, a alimentar nem se fala, a Sepror não cobra das empresas e empreendedores condições básicas de saúde como luvas, tocas, aventais, enfim, colocando todos os participantes nas piores condições de saúde.
A falta de segurança também é visível, enquanto eu pegava um moto-taxi, o motoqueiro me falava que só me disponibilizou o serviço por me conhecer, e que seu colega de trabalho havia sido assaltado 3 vezes em um único dia de evento, no mesmo dia vejo um rapaz correndo atrás de um elemento que tinha roubado seus pertences, empurrando a todos em sua frente, ué? Cadê a polícia presente?
Isso sem falar das "oportunidades políticas", já que se trata de milhares de pessoas presentes, mas afinal qual a relação entre a Senadora Vanessa(PCdoB-AM), citada durante o evento, sendo que existem outros senadores representando o estado? Ora, claro que o Sr. Eron teria que dar um pouco do crédito, diante uma oportunidade, a sua mulher que irá vir como candidata a prefeitura ano que vem(2012) e fechar o "ciclo perfeito".
Mas o que mais se explorou no 38º Expoagro foram os animais, como um Estado que detém uma das 10 maiores economias do Brasil mantém rodeios colocando animais nas piores condições de sofrimento, e pessoas em risco, contradizendo o Art. 10º da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, onde o Brasil é signatário do acordo efetuado em 1978, isso mesmo, há 33 anos, que diz que "Nenhum animal deve ser utilizado para o divertimento do homem". Sim, é triste saber que existem pessoas que se precisam se divertir a custa do sofrimento animal.
Portanto, afirma-se diante de tais fatos que o Expoagro nada mais é do que a triste realidade amazonense, onde nada mudou, onde o interesse é sempre o comercial, o marketing, os jornais ainda são comprados por não poder falar a verdade, os interesseiros são os mesmos, apenas as "figuras" mudaram e continuam a ser construídas novas. Mas ainda existe esperança para esse triste quadro, a indignação também chegou ao palco, e ela veio dos jovens, resultado de todo esse interesse que não conseguiu apagar de vez qualquer ameça ao sistema, que é o entendimento de como o mesmo funciona.

Criança segurando uma das placas dos manifestantes contra o rodeio no 38º Expoagro
Por: Kleyce Jhones

domingo, 23 de outubro de 2011

Os direitos ocultos dos usuários do transporte coletivo de Manaus

Troco integral ou dinheiro de volta? Frota renovada todo ano? Disponibilizar, obrigatoriamente, ônibus 24 horas por dia? Parada em qualquer lugar das 22h às 05h? Utilização de GNV(Gás Natural Veicular) pelos veículos novos? Portador de AIDS e hipertensão maligna em tratamento, que comprove carência, estão isentos da tarifa? Sim, tudo isso e muito mais é o que "assegura" a nossa LOMAN (Lei Orgânica Municipal de Manaus), mas que a Prefeitura jamais iria enviar à nossas casas, como fez com o "DVD SPE 1"(Só Para Eleitores 1- que tratava das "benfeitorias" da prefeitura) com a desculpa do princípio da Publicidade, do Artigo 37 da Constituição Federal/88, que também fala dos princípios da Legalidade, Impessoalidade, Moralidade e Eficiência, em todos os níveis do governo. Mas existem leis , a respeito dos direitos dos usuários e obrigações das empresas do transporte coletivo, que não são de conhecimento do cidadão, mas estão no texto da LOMAN.


                              


O Artigo 257 da LOMAN, que trata dos direitos dos usuários do transporte coletivo, no Inciso VI, diz que "o passageiro deve ser transportado gratuitamente em caso de inexistência de troco integral", embora deva ocorrer "quando efetuar o pagamento com a moeda mais próxima de até 5 vezes o valor de uma passagem inteira", ou seja, R$ 10,00  pode ser R$ 0,05 (centavos de reais) faltando, se não houver o troco completo, a cobrança seria imotivada (alguém já viu isso acontecer?). Ainda no mesmo Artigo, no Inciso I, a Lei fala que o usuário deve ter "amplo acesso às informações referentes a itinerário, horário, alterações de rotas, números de veículos, pontos de paradas, e terminais e outros dados pertinentes à operação de linhas, inclusive em braile [...] possibilitando uma fiscalização informal do sistema", a única parada que encontrei com horário foi uma do ICHL da UFAM, e em 2007, que durou pouco tempo.

Já o Artigo 258 da LOMAN, referente às "obrigações das empresas operadoras, na administração pública", aponta no Inciso VIII, que as permissionárias e concessionárias devem "promover a renovação da frota disponível na proporção de 25% (vinte e cinco porcento) ao ano, observando a vida útil média do veículo de seis anos, bem como assegurar a sua ampliação em razão direta do crescimento populacional comprovada nas áreas de sua atuação", o legislativo manauara somente se refere ao crescimento populacional quando quer tocar no aumento do número de parlamentares da cidade.

De todos os Artigos, o que me deixa mais perplexo é o Artigo 259, caput, onde diz que "as empresas [...] ficam obrigadas a manter o funcionamento das linhas [...] 24 horas por dia, ininterruptamente", isso mesmo, é de rir muito ao ler mesmo! Poderia-se também falar sobre Utilização de GNV pelos novos veículos (Art. 264, VIII, §4º), do embarque ou desembarque obrigatório, solicitado aos passageiros em qualquer lugar das 22h às 05h(Art. 263, §1), ou da isenção tarifária aos portadores de AIDS e hipertensão maligna em tratamento (Art. 261, IV). E não para por aqui, a lista de leis que não são cumpridas pelas empresas de transporte coletivo em Manaus é imensa, e o legislativo sequer as conhece, pois nossos vereadores não utilizam os ônibus da nossa cidade.

Veja mais:

Art 256. O Município, para prestação de serviços de transporte público, fará obedecer aos seguintes princípios básicos:
I - segurança, higiene e conforto dos passageiros, garantindo em especial acesso às pessoas portadoras de deficiências físicas e dificuldade de locomoção e as mulheres em estado de gravidez.
[...]
III - tarifa social que renumere de forma justa o serviço.

Qual é a segurança que o usuário, e o trabalhador, do transporte possui, com a falta de câmeras nos ônibus? E qual segurança de quem fica se equilibrando na porta, aberta, dos veículos lotados e em movimento? Será que os ônibus são ao menos limpos pra cumprir o princípio da higiene? Qual é o conforto que se tem ao sentar em cadeiras que não são acolchoadas e prejudicam a coluna doa usuários, levando em conta a precaridade da pavimentação das vias de Manaus? E qual o embasamento para o reajuste da tarifa, seria considerada justa uma tarifa exagerada com um transporte precário?