É uma igreja de Olinda, na comunidade de Vila Esperança, Pernambuco. Como cristão, fiquei muito alegre ao ver essa notícia há uns anos, e ao mesmo tempo decepcionado com a falta de sensibilidade de muitos, não todos claro, mas infelizmente esses muitos são maioria e são influentes em seus meios, uma pena, o que me faz pensar agora duas vezes antes de ficar calado e ouví-los.
"Paulo César era um jovem que na década de 90 sonhou, juntamente com alguns companheiros e irmãos de fé, em levar o evangelho de Cristo ao povo humilde e sofrido da Vila Esperança, periferia de Olinda. Inicialmente faziam apenas reuniões evangelísticas, mas aos poucos outras necessidades surgiram. O povo precisava de tudo. Muitos estavam famintos, outros tantos doentes, outros vivendo pesados dilemas e dramas psicológicos. Era preciso fazer algo mais do que estudos bíblicos e pregações. Apesar das limitações, Paulo e seus companheiros seguiram os passos de Jesus e se envolveram, movidos por compaixão, com os moradores da vila Esperança.
Com os anos uma igreja Batista se formou ali. Adquiriram um terreno com o apoio da população local e começaram a construir o templo. Lançaram a fundação, levantaram as paredes e colocaram o telhado. Faltavam apenas as portas e janelas. Passaram a se reunir ali mesmo com a construção não concluída. Foi quando aconteceu algo que mudou radicalmente os rumos da Igreja Batista de Bultrins. Incomodados com a desafiadora mensagem do evangelho, seis irmãos se apresentaram à liderança como candidatos ao ministério – queriam estudar teologia. Mas a igreja não dispunha de recursos para este envio. Foi aí que tiveram de tomar a difícil decisão: ou enviavam os seis para o seminário ou colocavam as portas e janelas no prédio. A Assembléia optou pelo mais sensato, embora muitas vezes não seja entendido pela maioria de nós como o mais lógico: enviaram os vocacionados. Com esta atitude, sem perceberem, estavam delineando, esculpindo a visão ministerial daquela igreja. Ao privilegiarem pessoas ao invés de coisas definiam uma cultura que caracterizaria a comunidade.
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| Foto tirada por Carlinhos Veiga em novembro de 2006 |
Anos se passaram e as portas e janelas nunca foram colocadas. Um novo conceito de igreja, e não só de templo, foi definido ali. Terminaram as instalações hidráulicas e elétricas, compraram cadeiras, instrumentos de som, mas nada de portas e janelas. Uma relação diferenciada foi estabelecida entre a igreja e os moradores da região. Com as portas abertas 24 horas, moradores de rua passaram a dormir no templo. Famílias de sem-teto agora tinham um canto para se abrigar do frio e das chuvas. Passaram a servir o sopão aos mais carentes nas noites de segunda-feira. Os garis que cuidavam da limpeza da região agora tinham uma sombra boa para o almoço e a rápida sesta. E assim a comunidade ao redor se abriu para a igreja porque a igreja se abriu, ou melhor, não se fechou, para a comunidade."
